Se o home office morreu, o que nasce agora?
O que sobreviveu do seu home office?
Em fevereiro escrevi aqui que o home office morreu. Naquele momento, parecia inevitável: nas empresas, a narrativa em torno do trabalho remoto havia perdido força. De queridinho da pandemia, ele passou a ser visto quase como um inimigo da produtividade e da cultura corporativa.
De lá para cá, confesso: perdi a vontade de produzir conteúdos mais factuais sobre o tema. O debate parecia girar sempre no mesmo lugar: problemas, críticas, diagnósticos sobre o que não funciona. E, no fundo, essa nunca foi a minha forma favorita de olhar para o modelo de trabalho.
O luto
Durante a pandemia, o home office foi exaltado como a solução definitiva. Escritórios fechados, salas transformadas em escritórios improvisados, cozinhas virando estações de trabalho, crianças dividindo espaço com reuniões no Zoom. E, claro, as promessas de que nunca mais voltaríamos ao antigo normal.
O tempo passou. O pêndulo voltou. Hoje, muitas empresas tratam o remoto como ameaça. O discurso mudou: voltem para o escritório, precisamos de vocês aqui.
É natural sentir que algo se perdeu.
O que ficou
Mas será que morreu mesmo? Ou será que o home office deixou sementes?
Continuam vivos os rituais que inventamos para dar sentido aos dias. O café feito com calma antes da primeira reunião. A luz da tarde entrando pela janela. A liberdade de vestir a roupa que faz sentido para nós, e não para um dress code.
O home office pode ter perdido a disputa semântica nas corporações, mas ele deixou marcas profundas no nosso jeito de viver e trabalhar.
O que nasce
E é aí que encontrei um caminho para seguir: não mais como alguém que só fala sobre pesquisas, números, ergonomia e produtividade, mas como curadora de um estilo de vida contemporâneo que tem no home office um dos seus símbolos.
Talvez o que nasce agora seja um olhar mais amplo: sobre como vivemos, trabalhamos, criamos e pertencemos. Não é sobre uma mesa ou uma cadeira, mas sobre confiança em vez de controle, sobre experiências em vez de endereços fixos.
O home office pode ter perdido espaço, mas continua sendo um símbolo de liberdade, de controle do próprio tempo e de busca por equilíbrio. E junto dele, cresce uma cultura do trabalho em movimento: mais adaptável, mais criativa, mais humana.
Quero saber de você: hoje, o que o home office simboliza na sua vida?
Um abraço,
Marcia Breda
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Apesar de tudo, sigo firme no home office. Bate desespero muitas vezes, pq diminuiu muito a quantidade de vagas remotas. Muitas vezes encontramos o "híbrido", que é uma enganação. Tentei voltar por medo, mas toda vez que eu tentava, o Universo colaborava e eu conseguia um contrato. Não desisto. Vejo muitos jovens trabalhando remotamente enquanto viajam, fazem voluntariados, trabalham com conteúdo para as redes. Creio que há um movimento nesse sentido se a gente olhar para a galera mais jovem. Se a gente permanecer olhando para grandes empresas tradicionais, é só desânimo. Os jovens, muitos deles desacreditados, estão vindo com tudo. Eu acredito que a força está aí.
Grandes corporações têm um peso enorme quando falam em querer seus funcionários de volta ao escritório. Mas também percebo (minha visão) que muitos cafés que visito para trabalhar estão cada vez mais cheios de gente com notebook. Talvez seja nos dias híbridos, quando podem trabalhar fora da empresa kk.
Foi por isso que criei o Spacealley (desculpe a propaganda rs), porque acredito que muita gente valoriza e vai continuar no trabalho remoto. E essa tendência só tende a crescer, já que empreendedores e nômades digitais continuam aparecendo aos montes.